quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Pensamento e ação.


As leis sociais, tais quais o paradigma da heterossexualidade, prevêem comportamentos decorrentes. Comportamentos que sejam reforçados e instituam a disseminação, e com isto, a aprendizagem, o surgimento dos famigerados "macacos de imitação."
As leis gerais da Psicologia dizem que se apreende aquilo que é reforçado.
Como somos determinados a agir de acordo com o que as pessoas que nos cercam julgam adequado, e para tanto, iremos analisar dois aspectos intimamente relacionados: os outros, ou seja, o grupo ou grupos a que pertencemos, e como nós, nesta convivência, vamos definindo a nossa identidade social.
Uma análise de instituições como família, escola, levando à reprodução das condições sociais, e em que circunstâncias elas podem propiciar o desenvolvimento da consciência social há de ser fator primordial neste aspecto.
São práticas consideradas essenciais, e, portanto, valorizadas; se não forem seguidas dão direito aos "outros" de intervirem direta ou indiretamente.
Afinal, se nós apenas desempenhamos papéis, e tudo que se faz tem sua determinação social, onde ficam as características que individualizam cada um de nós?
O pior é a utilização covarde da contravenção como reforço do "correto", "normal", como se os grupos "marginais" reafirmassem os paradigmáticos.
Até que ponto a "identidade social" e "papéis" exercem uma mediação ideológica, ou seja, criam uma "ilusão" de que os papéis são "naturais e necessários", e que a identidade é conseqüência de "opções livres"?
Apenas quando formos capazes de, partindo de um questionamento deste tipo, encontrar as razões históricas da nossa sociedade e do nosso grupo social, que explicam por que agimos hoje de forma como fazemos. Daí é que estaremos desenvolvendo a consciência de nós mesmos.
Deste modo, há de se entender que a consciência de si poderá alterar a identidade social, na medida em que, dentro dos grupos que nos definem, questionamos os papéis quanto à sua determinação e funções históricas.
Porém, este processo não é simples, pois os grupos e os papéis que os definem são cristalizados e mantidos por instituições que, pelo seu próprio caráter, estão bem aparelhados para anular ou amenizar os questionamentos e ações dos grupos, em nome da "preservação social".
Pensemos na seguinte proposição: "o soldado não pode nem deve pensar, pois seus "superiores" pensam por ele."
Valores que estão tão arraigados em nós, que por vezes, parece termos nascido com eles.

Base teórica: "O que é psicologia social; LANE, SILVIA T. MAURER"

O retorno do reprimido - raiz?


Na época em que Freud escrevia, reinava a repressão sexual vitoriana, e muitos problemas encontrados na prática clínica provinham da angústia causada por desejos sexuais "inaceitáveis". A teoria da angústia subseqüente, de Freud, tratou da repressão. Nessa fase do seu pensamento, os desejos sexuais, e os impulsos e as ânsias inaceitáveis que brotavam do "id" primitivo passaram a conflitar com as normas sociais "civilizadas", interiorizadas no indivíduo, na forma de ego ou superego.
Segundo Laplanche e Pontalis, a angústia automática corresponde à "reação do sujeito", que se encontra numa situação traumática - isto é, sempre que seja submetido a um afluxo de excitações, de origem externa ou interna, que é incapaz de dominar.
Tendo isto em vigência, que pensar então do machismo, meus senhores?

Texto embasado no livro "Conceitos da psicanálise - Angústia; RICK EMANUEL."